Casas de idosos acusam Samu de recusar o resgate a internos de instituições. Problema começou em setembro.Quatro lares da terceira idade, dois particulares e dois beneficentes acusam o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de negar atendimento aos idosos residentes nessas casas.
De acordo com as instituições, os atendentes telefônicos do serviço perguntam se a pessoa a ser removida se encontra em alguma ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos, ou asilos, casas de repouso e lares beneficentes).“Caso afirmemos que sim, os operadores avisam que não poderão enviar socorro”, disse Dirce Rodrigues Vitório Pacheco, enfermeira e coordenadora da Casa Vila Mariana, lar particular para idosos na Zona Sul. “Isso começou em setembro. Em março, negaram levar ao hospital um idoso que precisava de internação urgente, aqui. Depois soube de casos em outros asilos”, diz Dirce.
No Abrigo dos Velhinhos Frederico Ozanam, no Tremembé, na Zona Norte, a enfermeira Gabriela da Silva Gonçalves atribui a morte de duas internas à falta de atendimento por parte do Samu. Um caso foi em março o outro em dezembro.
“As duas tiveram problemas cardíacos. Em um dos casos, vieram até a porta e, mesmo vendo que era um caso grave, discutiram por 40 minutos se iam ou não levá-la”, disse Gabriela. “Ameacei chamar a Polícia Militar e eles acabaram levando. Mas esse atraso acabou sendo fatal para a idosa”, conta a enfermeira.
Resolução / Segundo as instituições, os telefonistas do Samu alegam que não enviam socorro por causa da resolução nº 238 de 07/2005 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que estabelece que os asilos “devem dispor de um serviço de remoção destinado a transportar o idoso”, mas não deixa claro qual o tipo exigido, carro normal ou ambulância.
“Só chamamos o Samu em situações em que realmente é necessário, como no caso de quebra de osso ou parada cardíaca”, falou Enio Manoel Correia Elias, presidente do Frederico Ozanam. “Nessas ocasiões é necessária a ambulância com médico e enfermeiro. Não dá para arriscar levar o idoso em um carro comum”, disse o presidente.CUSTO ALTO/ “Não é possível para nenhuma instituição beneficente manter uma ambulância de plantão 24 horas, com motorista, médico e enfermeiro. O custo seria muito alto”, explicou Sandra Leme da Costa, gerente do Lar Santo Alberto, que abriga 56 idosos em Lauzane Paulista , na Zona Norte. Sandra teve socorro negado pelo Samu em três ocasiões, desde o ano passado.
“Em um deles chamamos o Samu sem dizer que se tratava de um asilo. Os paramédicos chegaram a entrar aqui, mas foram embora quando perceberam que era um abrigo de idosos”, falou Sandra.
No bairro do Pacaembu, na Zona Oeste, em um asilo de alto padrão, o problema também ocorre. “Alguns idosos não dispõem de serviço particular e precisamos do Samu, mas eles não vêm”, falou a gerente da casa, que pediu anonimato.
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